Quinta, 06 de Agosto de 2009

Loucos por Música

Loucos por Música

Terça, 28 de Julho de 2009

Com perfil inédito, nova diretoria assume a Fundação Bienal

Heitor Martins

De Mauricio Stycer, repórter especial do iG. foto: Divulgação

O empresário Heitor Martins assumiu formalmente, no início da noite de segunda-feira (27), o cargo de presidente da Fundação Bienal de São Paulo. Esbanjando confiança, prometeu obter mais recursos, apresentar novas ideias e atrair sangue novo para a instituição. Em outras palavras, recolocar no trilho aquela que é a mais importante exposição de artes da América Latina.

Junto com Martins, tomou posse a nova diretoria executiva da fundação, formada por Eduardo Vassimon (vice-presidente), Justo Werlang (2º vice-presidente), Luis Terepins e Pedro Barbosa (diretores estatutários), Jorge Fergie, Miguel Chaia, Salo Kibrit e José Lucas Ferreira de Melo (diretores).

O perfil da nova diretoria já sinaliza a orientação da nova gestão. São, em sua maioria, empresários e executivos do mercado financeiro e, ao mesmo tempo, importantes colecionadores de arte.

O perfil é semelhante aos dos novos conselheiros, também empossados nesta segunda-feira: Alfredo Egydio Setúbal, Carlos Jereissati, José Olympio Pereira, Paulo Sérgio C. Galvão Filho, Susana L. Steinbruch, Tito E. Da Silva Neto e Cacilda Teixeira da Costa.

Há 17 anos no conselho da Fundação Bienal, o bibliófilo e colecionador Pedro Correa do Lago está entusiasmado: “Pela primeira vez, desde Ciccillo Matarazzo (o criador da Bienal, em 1951) o corpo diretor é formado por grandes colecionadores, profundos conhecedores de arte contemporânea”.

A efetivação da nova diretoria ainda depende de uma aprovação do Ministério Público do Estado de São Paulo, que há dez dias solicitou informações sobre os novos conselheiros sugeridos por Martins. Também pediu esclarecimentos sobre as posições na nova diretoria (indagando quais seriam os estatutários). E, finalmente, questionou a instituição sobre o contrato do evento “SP Arte - Feira Internacional de Arte de São Paulo”, dirigido por Fernanda Feitosa, mulher de Martins, com a Bienal de São Paulo.

“Não há nenhuma pendência. Foi apenas uma consulta”, minimiza Martins, em conversa com o Último Segundo. “O Ministério Público não falou que havia problemas, apenas pediu esclarecimentos. O contrato com a ‘SP Arte’ existe há cinco anos e se encerra em 2015”.

Dívidas equacionadas e busca de novos recursos

Eleito há cerca de dois meses, Martins afirma já ter equacionado a situação financeira da Fundação Bienal até o final de 2009. A instituição tem uma dívida estimada em R$ 4,8 milhões. “Já captei cerca de R$ 3 milhões”, diz. A Prefeitura de São Paulo repassou uma verba de R$ 1,8 milhão e, via Lei Rouanet, outros R$ 800 mil já foram captados.

Um jantar beneficente, que pretende reunir 400 convidados, espera arrecador outro R$ 1 milhão até setembro. “Isso vai resolver a situação deste ano”, assegura Martins.

E para 2010, ano da 29ª Bienal? Ao ser eleito, Martins prometeu fazer uma mostra com algo entre R$ 20 milhões e R$ 25 milhões. O novo presidente da Bienal não quis revelar os seus planos, mas está muito otimista. “Se você tem um bom projeto, os recursos vem”, repetiu três vezes diante da insistência do repórter em saber mais detalhes.

Martins planeja agir em três frentes: diretamente junto à esfera pública (Ministério da Cultura, governo do Estado e Prefeitura de São Paulo), pressionando empresas privadas (por meio da Lei Rouanet) e, finalmente, no corpo-a-corpo com empresários e colecionadores. “Vamos organizar jantares e outras ações. Ainda que os valores não sejam tão grandes, são ações importantes para aproximar a sociedade da Bienal”, diz.

Curador fala de mostra “densa”, com 200 artistas

O pesquisador Moacir dos Anjos, recém-anunciado como curador-geral da 29ª Bienal, esteve presente na posse da nova diretoria. Ele classifica como “certamente densa” a próxima Bienal e estima em 200 o número de artistas convidados. Dos Anjos promete anunciar em agosto os nomes dos curadores que o auxiliarão na montagem da exposição. Segundo Dos Anjos, a equipe deverá contar com quatro curadores estrangeiros e um brasileiro. “Eles vão formar uma câmara de discussão comigo”, diz.

Muito reservado, Moacir dos Anjos afirma que também vai anunciar detalhes da exposição e do seu projeto arquitetônico na mesma ocasião, em duas semanas. Como a Bienal está programada para os últimos meses de 2010, o curador terá pouco mais de um ano para montá-la – menos tempo que o desejável. “Já fiz alguns convites e contatos”, admitiu, sem querer dar mais informações.

O principal ponto que Dos Anjos anunciou em relação ao projeto curatorial diz respeito à idéia de explorar a relação entre arte e política. O curador também fala da intenção de aproximar “organicamente” a produção estrangeira convidada da brasileira. E também menciona o seu propósito de realçar a “experimentação”.

No breve texto que sintetiza as suas primeiras idéias para a próxima Bienal, Dos Anjos cita o crítico Mario Pedrosa (1900-1981), para quem “a arte é um exercício experimental da liberdade”, e afirma: “Através da exposição, podemos abrir brechas nos conceitos que existem sobre a vida. Tida muitas vezes como hermética, a arte contemporânea fala, justamente, das coisas que nos são mais próximas, e há a convicção de que é justamente essa capacidade que torna a arte passível de ser entendida”.