O Prosaico e a Vida Cotidiana
Eduardo Ventura, com mais de 20 anos de carreira artística, prefere ser chamado de pintor, porque para ele não basta ser artista. E não se importa de muitas vezes ser entendido como um “pintor de paredes”, quando assim se intitula ao responder com bastante humor e uma certa dose de insegurança, a insistente pergunta “com o quê” trabalha profissionalmente. A palavra artista daria uma vaga idéia de sua opção pela linguagem plástica, a pintura propriamente dita.
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Nascido em Barra do Piraí, cresceu em Volta Redonda, no interior do estado do Rio de Janeiro. Atualmente vive e trabalha em Niterói aonde se debate dentro de um apartamento residência-ateliê, com as grandes dimensões que suas pinturas adquiriram.
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Já é sabido que determinar um artista de autodidata, trata-se de uma inverdade. Não existe ninguém que se forme sozinho. O mundo em que vivemos é o da informação, o do conhecimento, o das trocas de experiências e, portanto, impossível admitir que alguém acredite na possibilidade de uma autonomia no aprendizado ou de preservar-se de influências externas. Ventura não frequentou uma escola de arte, formou-se em casa brincando com lápis, tintas e pincéis ao lado do pai também pintor, a sua inspiração e maior incentivador na carreira de “artista”. Mas só mais tarde veio radicalizar e viver de sua arte sem preocupar-se em defender um estilo ou a dedicar-se a uma temática.
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Trata-se de um processo inverso ao dos artistas do final do século XIX que deixaram o confinamento do espaço de trabalho e saíram em pleno ar livre, dirigindo-se para o campo a observar a natureza ou pelas ruas das cidades a registrar o comportamento dos seus habitantes na busca de uma melhor representação da liberdade de pintar a realidade. Trazendo com exuberância e expressividade para as telas a luz, as cores e as formas encontradas no mundo “externo”.
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A tinta que utiliza é a acrílica aguada de maneira a permitir uma transparência que deixa brotar uma luz que vem de trás de uma fina camada de cor. O branco ou cinza de fundo são as maiores fontes de luz, um elemento principal a constituir a cena pintada na sua plenitude e, por isso, o artista diz preferir dedicar-se à pintura na madrugada. Quando o dia adentra-se pela janela, acredita ser esta a luz natural perfeita para trabalhar. Pois as cores surgem no lusco-fusco da madrugada para resplandecer na luz solar do dia pleno.
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A pintura, como sempre, revoluciona-se como meio e renova-se como técnica diante dos avanços da humanidade sem perder a poética do trabalho criativo com a fatura ainda artesanal ou manual das pinceladas. A linguagem vive um enfraquecimento na atualidade diante dos novos procedimentos de criação, não mais apenas plásticos, mas também aliados a novos conceitos e aos processos tecnológicos da atualidade.
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“Fiel” a ela mesma, a pintura sempre esteve aberta à discussão sobre o tema da apropriação, da contaminação e da superação dos seus limites. No caso de Eduardo Ventura, a fotografia entra como instrumento para a construção de suas composições. Faz o processo inverso na história das linguagens. Ao invés da fotografia querendo ser pintura, é a pintura reproduzindo o instante fotográfico, flagrando pessoas em situação de contemplação nos parques e ruas de Paris, cidade onde passou cerca de dois meses, em 2008.
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A série que apresenta nesta exposição na Almacén Galeria, é resultado desta primeira experiência no exterior onde descobriu uma outra possibilidade de civilização e a sua relação mais afetiva com a cidade. O pintor nesta fase passa a ser apenas um observador da vida urbana. Sensível ao prosaico no dia a dia de uma grande metrópole.
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São imagens silenciosas e fixadas em uma pintura com cores pontuais puras e contrastantes com o cinza predominante, característica do clima parisiense. São de um cromatismo inventado para dar uma leveza de viés impressionista, necessário para dar volumes escultóricos e movimento às formas. A cor inventada é objeto de variações e resultado dessa experiência interna diante da impermeabilidade da vida cotidiana.
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A sua pintura não é uma simples imitação da coisa existente que vê e registra com suas fotografias. Tem muito da imaginação ao conseguir a expressão máxima dos fatos corriqueiros da vida quando compõe suas “janelas” para o mundo.
Ricardo Resende | Crítico de Arte - São Paulo, 2008.
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Curriculo do Artista
1990 - Exposição de Acervo Galeria Artinvesti, Volta Redonda, RJ; 1991 - Individual no Grêmio Cultural EMSSilva, Volta Redonda, RJ; 1992 - Exposição de Acervo Galeria Perfil, RJ: Acervo Galeria Picasso, Campos, RJ; Exposição Galeria Lausanne, RJ; Individual CentroCultural do Trabalhador, V.Redonda, RJ;Coletiva de Natal Gal.Stillus, São Paulo, SP; I Bienal de Artes Plásticas de Volta Redonda, RJ; 1993 - IV Expo Arte, Macaé, RJ; Acervo Galeria Ponto das Artes, SP; Acervo D'Bieler Galeria de Arte RJ; 1994 - V Expo Arte, Macaé, RJ; Arte Maior Galeria, Recife, PE; 1995 - Exposição Coletiva Nini Barontini Galeria de Arte, Curitiba,PR; Exposição Coletiva Galeria Lausanne; 1996 - Exposição Coletiva Galeria Toulouse, RJ; Exposição Coletiva Almacén Galeria de Arte, RJ; BrazilianContemporary Painting Exhibition at Overseas Gallery, Coral Gables, Miami, EUA; 1997 - Coletiva Faculdade da Cidade, RJ; Coletiva de Inauguração Almacén Galeria Icaraí, RJ; Coletiva Artinvesti Galeria, Volta Redonda, RJ; 1998 - Individual Galeria Toulouse - RJ; 1998 - Coletiva Almacén Galeria de Arte, RJ; 1999 - Coletiva Galeria Toulouse - RJ; 1999 - Casa Cor Rio; 2000 - Individual Almacén Galeria de Arte, RJ;
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2001 - Exposição Coletiva 10 X Arte – Almacén Galeria, RJ; 2002 - Exposição Coletiva - Galeria Arte Maior – Recife – PE; 2002 - Exposição Coletiva 10 X Arte – Almacén Galeria, RJ; 2003 - Cenários da novela “Mulheres Apaixonadas” – Rede Globo; 2003 - Exposição de Acervo Galeria Regard – Belo Horizonte – MG; 2004 – Figura no Brazilian Art Book volume IV e participa de exposições de lançamento do livro em Belo Horizonte, Ri de Janeiro e São Paulo; 2004 – Exposição Coletiva na Galeria da Vera, em Porto Alegre; 2004 – Exposição Coletiva 18 Anos da Almacén Galeria de Arte, RJ; 2005 – Salão de Artes da Hebraica, São Paulo; 2005 – Exposição Coletiva 19 anos da Almacén Galeria de Arte, RJ; 2005 – Exposição de acervo da Galeria Expoarte, Brasília, DF; 2006 – Participa da II SP Arte, figurando no catálogo da Feira, por intermédio da Almacén Galeria; 2006 – Participa do Projeto “Loucos por Música”, no Canecão, RJ, ao lado de Daniela Mercury, Djavan e Max Vianna; 2006 – Individual na Almacén Galeria de Arte, RJ; 2006 – Cenários da novela “Páginas da Vida” Rede Globo; 2007-2008 – SP Arte – Feira Internacional de Arte; 2008 – ArteBA – Feira Internacional de Arte de Buenos Aires; 2008 – Exposição Individual “Sentimento Urbano” na Almacén Galeria com crítica de Ricardo Resende; 2008 – SNBA do Carrossel do Museu do Louvre em Paris.
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